LN – Rodolfo Miceli, símbolo de um atentado que ficou na memória de todos os argentinos


Rodolfo Miceli, integrante do famoso atacante do Independiente junto com Carlos Cecconato, Carlos Lacasia, Ernesto Grillo e Osvaldo Cruz, faleceu nesta quarta-feira aos 92 anos. Verdadeira glória do futebol argentino na década de 50, com seus companheiros fez parte da seleção argentina e escreveu páginas inesquecíveis, principalmente para os torcedores do clube Avellaneda. Até sua morte, além disso, continuou a ser presidente do Club Atlético y Social Los Andes, na cidade portenha de Munro, onde morava, e chefe da Casa del Futbolista Mutual Association.

Conhecido por quase toda a vida como Micheli, com H, ele mudou seu sobrenome para o original (Miceli) há alguns anos, como havia sido notado erroneamente quando seu pai siciliano chegou para se estabelecer na Argentina.

Rodolfo Miceli, Carlos Cecconato, Carlos Lacasia, Ernesto Grillo e Osvaldo Cruz, com a camisa do Independiente que os imortalizou

Rodolfo Miceli, Carlos Cecconato, Carlos Lacasia, Ernesto Grillo e Osvaldo Cruz, com a camisa do Independiente que os imortalizou

Miceli jogou como ponta-direita num avançado que fez história e que ao longo dos anos gerações repetiram de cor. Foi entre 1952 e 1955, anos em que o Independiente paradoxalmente não conquistou nenhum título. No entanto, o desempenho daquele quinteto de ataque foi tão bom que o diretor técnico da seleção argentina, Guillermo Stábile, o convocou em sua totalidade para representar as cores nacionais.

E o próprio Miceli participou de um dos capítulos mais importantes da história da seleção nacional. Em 14 de maio de 1953, no estádio do River Plate, a Argentina disputou um amistoso contra a Inglaterra. A albiceleste selecionada formada com Musimessi; Dellacha, Garcia Perez; Lombardo, Mouriño, Gutierrez; Miceli, Cecconato, Lacasia, Grillo e Cruz. Na ocasião, Miceli marcou o segundo gol da vitória por 3 a 1.

O atacante, na capa da revista El Gráfico, após a façanha contra a Inglaterra no campo do River

O atacante, na capa da revista El Gráfico, após a façanha contra a Inglaterra no campo do River

Mas aquele jogo ficaria para a história por outro motivo: o gol monumental de Ernesto Grillo, que fez com que o Dia do Futebolista fosse comemorado em nosso país todo dia 14 de maio. Uma data que há dois anos foi alterada e transferida para 22 de junho, em homenagem ao gol de Diego Maradona contra a Inglaterra em 1986. Em entrevista há alguns meses ao Clarion, Miceli reclamou amargamente dessa mudança: “Como vamos comemorar o Dia do Futebolista só por um gol, por mais bonito que tenha sido. No dia 14 de maio comemoraram a vitória sobre a Inglaterra, uma vitória coletiva de uma seleção, não algo individual”, exclamou.

Outra das gloriosas páginas de que fez parte foi a histórica digressão do Independiente por Espanha, em que a equipa de Avellaneda goleou a equipa merengue por 6-0, que comandada por Alfredo Di Stéfano, dois anos depois, viria a conquistar a Taça dos Campeões Europeus cinco vezes consecutivas (agora a Liga dos Campeões). A partida foi disputada em Madri em 8 de dezembro de 1953 e Miceli marcou dois gols. Independiente formado com: Abraham; Barraza (Monsegne), Villini, E. Varacka (Sorriero), Arias, A. Varacka, Micheli, Cecconato, Lacasia (Bonelli), Grillo, Cruz.

Comandado por Juan José Maril, grande ponta-direita da década de 1930, campeão pelo Independiente, Miceli foi fazer um teste no clube de Avellaneda. Ali jogou entre 1952 e 1957, período em que -como dissemos- não conquistou nenhum título, mas ficou na memória de todos nessa linha de ataque que esteve perto de se consagrar em 1954, quando terminou em segundo lugar, Atrás do Boca Juniors.

Mais tarde teve passagens fugazes por River, Huracán, Millonarios de Colombia e Platense, mas as lesões não permitiram que se desenvolvesse plenamente. Terminou a carreira na Juventud Unida, em San Miguel.



Publicado en el diario La Nación

(Visitado 1 veces, 1 visitas hoy)