LN – “Isso não pode acontecer no meu país.” Os bastidores de como Anamá Ferreira conseguiu uma advogada para Thelma Fardin no Brasil



Quando Anama Ferreira Ao saber que o julgamento de Thelma Fardin contra Juan Darthes havia sido suspenso no Brasil por uma questão de jurisdição, ela resolveu ajudá-la, arrumou um advogado e colocou em contato. Em diálogo com LA NACION, Anamá deu detalhes sobre o link e conta por que fez isso. “Eu esperava que Thelma falasse primeiro e agora posso contar”, conta a modelo e apresentadora.

-Por que você decidiu ajudar Thelma?

-Eu não conhecia Thelma pessoalmente, mas conhecia o trabalho dela. Liguei para ela porque sou uma guerreira negra. Quando soube que o julgamento havia sido suspenso e que poderia ser anulado e a vi chorando, tão angustiada dizendo que não tinha ninguém no Brasil, a verdade é que meu coração se partiu porque eu tenho uma filha, ela pode precisar de alguma coisa em algum momento e eu gostaria que alguém a ajudasse. Isso não pode acontecer no meu país, não quero que continue assim. Estudei Direito, adoro o tema dos advogados mas, sobretudo, não queria que Thelma se sentisse assim. Mudei o que tinha que mudar e conversei Carla Junqueira que é minha amiga e uma das duas melhores advogadas do Brasil, recebido em Harvard e na Sorbonne; é uma camada em direito internacional e tem um escritório de advocacia no Brasil chamado Junqueira, que acaba de receber um prêmio internacional. E digo isso para que você saiba quem representa a Thelma no Brasil; ele não é um advogado de mídia querendo aparecer na TV mas ela está com um super advogado e com um estudo que vai protegê-la.

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-Como Thelma reagiu?

Ele ficou muito animado. Primeiro conversei com a Carla, para saber se podia, e contei a ela o que estava acontecendo. Ela ligou imediatamente para o Brasil, falou com o criminologista que trabalha com ela, e só então liguei para Thelma e marquei uma reunião entre nós três. Não quero comentar a causa, não sei se ele é inocente ou culpado, isso tem que ser decidido pela lei. O que eu quero é que você tenha um julgamento justo com um veredicto final e que Thelma está calma. Durante a reunião, ele agarrou nossas mãos e chorou, tanto que nós três choramos porque a verdade me comoveu. Fico feliz em poder ajudá-la. E, além disso, ele não vai cobrar um centavo de você. Thelma não está sozinha no Brasil, pertencemos ao grupo de mulheres do Brasil, somos cem mil e vamos apoiá-la.

-Você conhece Juan Darthés?

-Conheço-o por tê-lo saudado uma vez quando nos cruzamos, temos uma relação cordial, mas nada mais. Mas aqui vou contra a solidão, contra o abandono, contra a ideia de ver uma pessoa que não tem ninguém para ajudá-lo.

Apoio a Fardín no Brasil

Depois de ouvir a notícia de que o julgamento voltou à página zero, O movimento #metoo do Brasil Ele emitiu um comunicado que divulgou através de suas redes sociais em que se solidariza com a situação da atriz argentina.

“Expressamos nosso apoio e estendemos nossas mãos aos argentinos que nesta quinta-feira (02/10) se manifestaram em frente ao consulado brasileiro em Buenos Aires, em apoio à atriz Thelma Fardin. A Me Too Brasil acompanha o caso desde o início, estendendo o apoio a Thelma. Em abril do ano passado participamos de um evento sobre o tema com o Coletivo Respeito em Cena”, começa a carta.

E então ele faz um revisão dos fatos: “Em 2018, Thelma Fardin denunciou o colega ator Juan Darthés por tê-la estuprado na Nicarágua, em 2009, quando ela era menor e ele já tinha 44 anos. Como Darthés tem cidadania brasileira, ele foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo em 2021. Nesta quarta-feira (02/09), porém, o processo atual foi anulado, apesar de o julgamento já ter começado no final do ano passado. Agora, o caso deve passar da esfera federal para a estadual. A recepção da decisão de recomeço é recebida negativamente por Thelma, sua equipe e nós do Me Too Brasil”.

O texto também inclui uma declaração do fundador e presidente da Me Too Brasil: “Quanto mais longe nos afastamos dos fatos, mais difícil é. O tempo favorece narrativas discriminatórias, estereotipadas, baseadas na culpabilização e revitimização da vítima. Termina com uma inversão de papéis, colocando a vítima no banco dos réus.”

“Sabemos que essa decisão não absolve ou encerra o processo, mas estamos preocupados com a demora que causa, além do possível dano à vítima. Esperamos que a Justiça do Estado de São Paulo aceite integralmente a investigação, já avançada, realizada na esfera federal. E exigimos reparação da Justiça brasileira no caso de Thelma Fardin, assim como nos casos de tantas outras mulheres silenciadas.”termina.

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Além do fato de Darthés não ser conhecido em seu país natal, tanto sua chegada ao Brasil quanto sua misteriosa estadia em São Paulo foram alvo de polêmica. No dia de sua chegada, algumas das mais importantes atrizes da televisão e do cinema brasileiros repudiaram sua presença no país. Alinne Moraes, Rafaela Mandelli, Bruna Linzmeyer, Paula Braun, Nathalia Dill, Debora Falabella, entre outras, compartilharam em suas redes um manifesto contra a chegada do ator ao seu país.

Na escrita, que as atrizes acompanham junto com a imagem da protagonista de simãoé anunciado: “Nós, irmãs brasileiras, repudiamos a chegada ao Brasil de Juan Darthés, ator argentino recentemente denunciado por estupro pela atriz Thelma Fardin. Thelma era menor de idade na época do estupro e sua denúncia se junta à de outras mulheres, apontando atos de assédio e abuso sexual cometidos por Juan. As atrizes do Brasil e da Argentina estão juntas, organizadas e atenciosas”.

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Em meados de novembro de 2019, a rede brasileira O Globo divulgou uma reportagem especial sobre a situação do Juan Darthés, no programa o Ciclo Fantástico: O Show da Vida. Ali, através de uma série de entrevistas com o denunciante, outras atrizes e jornalistas argentinos, deu-se um vislumbre da situação do ator e das várias acusações que pesam sobre ele.

Depois de descrever o perfil artístico de Darthés (segmento que inclui parte da entrevista que Mauro Viale realizou com ele horas após a divulgação da denúncia de Fardin), ele expôs as acusações de Calu Rivero, Natalia Juncos e Anita Co, que testemunhou suas experiências desagradáveis ​​trabalhando com o ator. Além disso, foi ilustrado o papel do movimento #NiUnaMenos, do feminismo e do trabalho da Actrices Argentinas na denúncia de abusos contra as mulheres. “Há um antes e um depois na sociedade”, disse Sabrina Cartabia, então advogada de Fardin.

De uma das entrevistas, Fardin falou do “balanço positivo” da exposição que sofreu com sua denúncia. A atriz contou que foi visualizado um problema social que fez com que “mulheres começassem a falar e denunciar assédio e estupro” Além disso, sobre as opiniões de diferentes jornalistas sobre a causa, a cadeia conversou com a jornalista Valeria San Pedro, que disse que após o caso Darthés e o movimento #NiUnaMenos, uma mudança notável começou a ser vista na sociedade . . “Começou a se saber que as mulheres têm direitos, começamos a exercê-los e exigi-los”, destacou.




Publicado en el diario La Nación

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