LN – Em Quebec, o papa enfrenta grandes expectativas dos nativos



O papa Francisco enfrentou um breve protesto na quinta-feira e levantou a questão do “abuso sexual” pela primeira vez durante sua visita ao Canadá, quando o pontífice pediu uma refundação das relações da Igreja com os povos indígenas.

De manhã, pouco antes da missa de reconciliação no santuário católico de Sainte Anne de Beaupré, dois indígenas desfraldaram uma faixa com os dizeres “Revogação da Doutrina” em frente ao altar e a poucos metros de Francisco.

Além das desculpas apresentadas pelo pontífice e há muito aguardadas pelos povos indígenas, alguns exigiam que o papa fosse mais longe e especialmente revogasse os éditos papais do século XV que deram origem à “doutrina da descoberta” que autorizava as potências europeias a colonizar não -Terras e povos cristãos.

O estandarte estava do lado oposto ao do Papa e foi retirado logo em seguida para ser colocado do lado de fora do templo.

Ao meio-dia, o chefe da Igreja Católica convocou diante de membros da Igreja uma “luta irreversível” contra “os abusos sexuais cometidos contra menores e pessoas vulneráveis”, sem mencionar diretamente os cometidos em internatos para indígenas administrados pela Igreja.

Durante sua visita ao Canadá, o papa se desculpou várias vezes pelo abuso de crianças indígenas nessas escolas desde o final do século 19 até a década de 1990.

“Gostaria, com vocês, de pedir perdão a todas as vítimas novamente. A dor e a vergonha que sentimos devem se tornar uma oportunidade de conversão: nunca mais!”, declarou em seu discurso perante os bispos, sacerdotes e representantes religiosos em Quebec Catedral de Notre Dame.

–Retratos de desaparecidos–

Para Desneiges Petiquay, uma mulher de 54 anos da reserva Manawan, que trazia um lenço laranja no pescoço, em homenagem às crianças indígenas desaparecidas, esta visita é uma “mensagem de esperança”.

Ela se levantou às 4h da manhã para ficar na primeira fila em frente à igreja, onde foram instaladas telas gigantes.

“Este papa sabe que existimos, ele nos reconhece”, disse à AFP. “Ontem eu vi de perto, me tocou aqui”, acrescentou, colocando a mão no coração.

De acordo com a diocese de Quebec, 70% dos ingressos gratuitos distribuídos para assistir ao evento foram reservados para as comunidades indígenas (Primeiras Nações, Métis e Inuits).

Entre os fiéis, alguns carregavam nas mãos a foto de um parente desaparecido. Muitos usavam laranja, símbolo do sofrimento indígena.

Mas para outros como Abigail Brook, 23, membro das Primeiras Nações de Santa Maria, pedir perdão “não é suficiente”. Ela espera mais ações que demonstrem a verdadeira reconciliação.

— “Secularização” —

A província francófona de Quebec é a que conta com o maior número de católicos no Canadá, mas o comparecimento tem sido menor do que o esperado desde o início da visita, em um contexto de Igreja em declínio.

Diante de outros membros da Igreja, o papa também mencionou o “desafio” da secularização” que “por tanto tempo transformou o modo de vida dos homens e mulheres de hoje, deixando Deus quase em segundo plano”.

Na sexta-feira, o papa de 85 anos, que usa cadeira de rodas devido a dores nos joelhos, se reunirá com a comunidade jesuíta e depois com uma delegação de povos nativos em Quebec antes de partir para Iqaluit, Nunavut, no arquipélago ártico.

Nesta parada de algumas horas, a última de sua viagem, Francisco se reunirá com ex-alunos de internatos indígenas, antes de retornar a Roma.

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Publicado en el diario La Nación

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